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Uma flor cheia de segredos

Uma flor cheia de segredos

Banner Cozinhatividade por Cheg karina Bertocco Página de potagem

E são tantos segredos, que o famoso poeta Pablo Neruda fez uma homenagem a essa deliciosa e linda flor!

“ A alcachofra
de terno coração, 
vestiu-se de guerreiro,
ereta, construiu
uma pequena cúpula,
se manteve
impermeável sob suas escamas,
do seu lado
os vegetais loucos
encresparam-se,
fizeram-se juncos
bulbos comovedores,
no subsolo
dormiu a cenoura
de bigodes vermelhos,
o vinhedo
ressecou os sarmentos
por onde sobe o vinho,
o alface
dedicou-se a experimentar saias,
o orégano
a perfumar o mundo,
e a doce alcachofra
ali na horta,
vestida de guerreira,
brilhosa
como uma granada,
orgulhosa, 
e um dia
uma com outra
em grandes cestos
de vime, caminhou
pelo mercado
a realizar o seu sonho:
a milícia.

Em fileiras
nunca foi tão marcial
como na feira,
os homens
entre legumes
com suas camisas brancas
eram 
mariscais
das alcachofras,
as filas apertadas,
as vozes de comando, 
e a detonação
de um caixote que cai,
mas 
então vem 
Maria
com seu cesto
escolhe
uma alcachofra,
não lhe teme,
a examina,
a observa
contra a luz
como se fosse um ovo,
a compra, 
a confunde na sua bolsa
com um par de sapatos,
com um repolho e uma 
garrafa de vinagre
até 
que entrando na cozinha
a submerge na panela.

Assim termina em paz
esta ocupação
de vegetal armado
que se chama alcachofra,
logo escama por escama
desvestimos a delícia 
e comemos a pacífica pasta
do seu coração verde.

Pablo Neruda, “Ode à alcachofra,” em Odes elementares, 1954

Essa delícia é originária da região sul do Mar Mediterrâneo. Foi muito consumida por egípcios, romanos e gregos. Mas foram os árabes que difundiram essa iguaria pela Europa a partir do século IX.

No Brasil, foram os imigrantes italianos que trouxeram no começo do século XX e   se adaptou bem no clima de São Roque, no estado de São Paulo, e na região de Teresópolis, no Rio de Janeiro; que continuam sendo os lugares com a maior produção no Brasil.

Atualmente, os principais produtores mundiais, são os Italianos.

A planta se adaptou em diversas regiões na Itália, especialmente na Sicilia onde produzem alcachofras de qualidade superior. Dizem que lá também se prepara as melhores alcachofras. Com certeza por conta da enorme variedade de receitas, da forma de cultivo, do solo, do clima.

A alcachofra tem muitas utilidades, já que traz inúmeros benefícios para a saúde; é rica em ferro, potássio, cálcio, vitaminas, é purificadora do sangue, desintoxicante, ótima para rins e fígado. Pode ser encontrada em medicamentos, homeopatia, cosméticos; além é claro de inúmeras receitas e formas de preparo. Tudo isso é obtido quando a colheita é feita antes de abrirem as flores e secar as folhas.  Mas, não tem problema caso passe esse tempo e as flores se abram… Porque são lindas demais e servem como uma bela paisagem para enfeitar a visão de quem observa.

Existem várias maneiras de preparar receitas de alcachofra.

Podem ser antepastos, conservas, saladas, entradas, pratos principais, acompanhamentos, molhos e acredite se quiser, até sobremesa. Você pode fazê-la inteira frita no azeite, sim, o resultado são folhas crocantes como chips de batatas. Também pode cozinhar inteira na água temperada com sal, azeite e especiarias. Pode recheá-las se quiser… Uma receita típica italiana que leva o nome de alcachofra “all`inferno” é recheada de alho, salsinha, parmesão, farinha de rosca, sal, azeite e pimenta. Regada com vinho branco e assada no forno.  Que tal?

Outra opção, também italiana tradicional… Deliciosamente simples, cozida com um vinagrete. Basta passar cada folhinha no molho, e devorar com delicadeza a polpa de folha por folha, até chegar na parte cheia de penugem que envolve o tão esperado coração da alcachofra.

Algumas dicas para você lembrando que a época das alcachofras aqui no Brasil é em setembro/outubro, se jogue nos preparos dessa iguaria.

1 – Prefira a alcachofra in natura, corte o talo rente a base. Lave bem, fazendo movimentos para abrir as pétalas. Assim fica mais fácil de absorver os temperos e para recheá-las depois.

2 – Sempre, antes de cozinhar, deixe de molho em água com sal e vinagre ou limão por uns 30 min. (Não esqueça do vinagre ou limão, sem isso a alcachofra oxida e escurece) .   

3 – Para cozinhar, não cubra com água. Coloque até um pouco mais da metade e é suficiente para cozinhar em temperatura média para baixa.

4 – Quando ela estiver bem cozida, as folhas de baixo soltam com facilidade.

5 – Porque não ir direto na fonte? Se você for de São Paulo e região, não deixe de visitar São Roque. Além de ser um passeio muito agradável para a família toda, você encontra diversos restaurantes na rota do vinho e pode apreciar as plantações de alcachofra no caminho. Além é claro, de poder comprar direto dos produtores locais.

Bom Apetite!

Sobre a Colunista

Chef Karina Bertocco Coluna Cozinhatividade foto perfil

Eu sou Karina Bertocco e um detalhe importante que diz;muito da minha personalidade é sobre minha origem, da qual me orgulho muito. Venho de uma família italiana do bairro da Mooca em São Paulo, e desde pequena me realizo na cozinha ajudando as minhas avós a fazer um delicioso Gnocchi, ou o maravilhoso Crostoli 

Italiano, massa fresca ou até mesmo um simples bolo de chocolate. Eu sou completamente apaixonada por cozinha e na arte de receber pessoas, qualidade que com certeza herdei dos meus pais que são excelentes anfitriões. 

Para me profissionalizar portanto, cursei gastronomia na Anhembi Morumbi em São Paulo, trabalhei no;Clube Med em Trancoso,;na cozinha do grupo Leopoldo em São Paulo, fui sócia proprietária de restaurante também em São Paulo e;hoje em dia da Karina Bertocco Gastronomia em Indaiatuba/SP. Fiz cursos de panificação e confeitaria na Levain (SP), de confeitaria na Escola do Diego Lozano, fiz um curso de harmonização na Le Cordon Bleu;em Paris e um curso de Massas e Pizzas na Accademia Europea di Firenze na Itália. Tive a oportunidade de viajar por 25 países (por enquanto), o que agregou e agrega muito na minha profissão.

Além dessa matéria, Alimentos ideais para o inverno,
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Sobre o Autor

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