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Rota Educacional: Embarcar ou não embarcar?
Crédito da foto para Leonardo Yip on Unsplash

Rota Educacional: Embarcar ou não embarcar?

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“Sabemos que o bem e o mal co-habitam em nós e por mais que nos esforcemos para ser do bem, não há como fugir, o mal está lá, quieto, pronto para aflorar. Lógico que na maioria das vezes somos educados e limitados para que os mandamentos do bem prevaleçam e quase sempre possamos agir em conformidade com eles.”

Escrevi esse texto em 2009, Na ocasião tinha ocorrido a morte da garota Isabella Baracat de 20 anos num cruzeiro marítimo universitário. Em 2009 minha filha Raphaela tinha 9 anos.

Hoje ela tem 18 e nos próximos dias a embarco para uma viagem de formatura para Porto Seguro e me lembrei da escrita deste texto.

Sobre a morte da garota Isabella Baracat de 20 anos num cruzeiro marítimo universitário há muito que se refletir.
O primeiro ponto a pensar é sobre a existência do bem e do mal. Sabemos que o bem e o mal co-habitam em nós e por mais que nos esforcemos para ser do bem, não há como fugir, o mal está lá,;quieto, pronto para aflorar. Lógico que na maioria das;vezes somos educados e limitados para que os mandamentos do bem prevaleçam e quase sempre possamos agir em conformidade com eles. E assim educamos nossos filhos para os limites,;para saberem dizer não ao inadequado, para terem noção dos perigos, para agirem pensando nas consequências. 

Num segundo ponto está a estimulação ao inadequado. Convivendo com exemplos ruins, assistindo a conselhos maldosos na televisão, ouvindo notícias perniciosas, conectando ideias podres na internet nossas crianças e adolescentes vão mantendo um arquivo atualizadíssimo de “más sugestões” para colocar em prática na primeira oportunidade que tiverem.

E ideias arquivadas, somadas a um grupo de adolescentes juntos e com tempo sobrando pode resultar em ações equivocadas. Concluo isso porque lido diariamente com crianças e adolescentes e vejo até onde suas atitudes inadequadas podem chegar.
E é por isso que trabalhar com educação é tão instigante, pois nosso papel de pais e educadores é lembrar constantemente até onde podem ir, é clarear e alargar os pensamentos que por vezes miram-se num único ponto de vista.

Um terceiro ponto a pensar é que ao trabalhar para que nossos jovens desenvolvam sua autoestima,;talvez estejamos errando na dose e excedendo no estímulo ao amor próprio. Vemos diariamente nossos jovens querendo ser notados demais, querendo exclusividade demais, pedindo atenção demais. É tanto narcisismo que a opinião do outro, a dor do outro, a queixa do outro deixam de ser relevantes.

Talvez esses três pontos e alguns outros tenham se somado no caso da menina Isabella: moçada reunida para se divertir, com a sensação de liberdade à flor da pele,;sem preocupação com o bem-estar do companheiro, com ideias equivocadas de como aproveitar essa liberdade,;com a força do coletivo motivando e incentivando o inadequado e consumo de drogas.

Decidir embarcar ou não um filho numa viagem dessas é muito difícil. Dizer não é tirar o filho das experiências e vivências que poderiam trazê-lo ao crescimento e amadurecimento. Dizer não é deixar de acreditar na educação dada e nos exemplos ensinados em casa. Dizer não é acreditar que sempre estaremos por perto para salvá-lo das situações difíceis.

Dizer sim é aceitar a sua individualidade e sua emancipação. Dizer sim é considerar contudo, sua capacidade de sobrevivência. Dizer sim é transmitir confiança e aprovar suas decisões.

Para responder a essa pergunta cada família precisa auto-avaliar-se. Os pais criam seus filhos para terem uma vida feliz. E nessa missão não basta dizer sim. Muitas vezes é preciso falar não também.

O importante é que antes de uma viagem como essa os pais conversem com o filho e chequem alguns pontos que podem ajudá-los em sua avaliação,;ponderando todos os riscos e possibilidades. Portanto, proteção e cuidados sempre são bem-vindos, principalmente quando se trata da integridade dos filhos.

Ao final, após precauções observadas,;se a decisão tomada for sim, só resta pedir ajuda a Deus e seus anjos da guarda.

Sobre Colunista

Rosangela Silva Coluna Roda Educacional Foto de Perfil

 

ROSÂNGELA SILVA, responsável pela coluna ‘Rota Educacional’ é pedagoga, pós-graduada em Psicopedagogia e Metodologias da educação à distância. Atua há quase 30 anos na área da educação passando pela sala de aula, coordenação e direção. Realiza cursos e palestras e tem como hobby escrever crônicas e poesias (Blog Encucações educacionais e algo mais www.mrosangela.blogspot.com e Mulher na direção www.facebook.com/mulheresnadirecao/).

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