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Para refletir sobre a proposta “Escola Sem Partido”

Para refletir sobre a proposta “Escola Sem Partido”

O objetivo não é encontrar o certo ou errado para dialogar sobre o projeto de lei, mas refletir e compreender 

 

*Ana Regina Caminha Braga

 Quatro tópicos mais polêmicos:

  1. O professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos para promover seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias;
  2. O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas;
  3. O professor não fará propaganda político partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas;
  4. O professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções;

É importante pensar que cada instituição familiar e ser humano tem seus valores, concepções e opções e dentro desta perspectiva. Seguirá o seu caminho e dificilmente esta instituição familiar e seres humanos consideram se desvincular das mesmas. Pois faz parte do seu eu, independente dos momentos vivenciados, sendo profissionais e/ou pessoais.

 

Ser Humano

Compreende-se que o ser humano é formado de dimensões cognitivas, afetivas e sociais e desta forma se relaciona com o meio em que vive. Sendo assim, a orientação dos responsáveis durante sua formação é primordial. Da mesma forma quando necessário inserir esse filho na escola. Pois é pertinente escolher aquela que tem o mesmo perfil da sua educação, princípios, valores e convicções. Ou estará com possíveis problemas e situações a lidar mais para frente.

O que acontece com o projeto da “Escola Sem Partido” é acreditar que as pessoas não podem mais agir com suas convicções, valores ou direito de expressão. Se o professor atualmente é um mediador como ele pode entrar em sala de aula e não formar um cidadão reflexivo, questionador, com um raciocínio lógico. Sendo adequado e conhecimento de mundo para cobrar seus direitos em qualquer segmento da sociedade?

Nóvoa em palestra recente disse que a escola tradicional perdeu seu brilho e que já teve seu brilho anos atrás e hoje vivemos um momento de crise. A mudança deve ocorrer já ou entraremos em uma degradação da escola. Como é possível relacionar as palavras do autor com o tema “Escola Sem Partido?”

Formação

Pode-se iniciar ao refletir sobre a formação de seres pensantes, reflexivos, conscientes de seu aprendizado, suas crenças, valores e princípios.  Ainda com a questão de ter o professor como um mediador que pode dialogar com ele sobre vários assuntos, os quais são parte da sociedade civil.

A história é parte da escola e como o professor pode estar em sala de aula conversando com os alunos. Sem trazer um pouco dos momentos e movimentos da sociedade, a gestão do seu Estado, do seu País: as implicações e os progressos? Onde fica o direito de ir e vir do cidadão?

Como o projeto pensa em ser parte da escola com o seguinte pressuposto: “o professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Isto é uma opção do responsável escolher determinada escola para o seu filho. No caso da rede pública, ela é sem partido e religião. No entanto, algumas seguem uma linha filosófica. O cuidado deve ser dos responsáveis.

Outra questão

Outra questão que pode ser analisada neste artigo é: “o professor não fará propaganda político partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas”. Com certeza, o professor não levantará bandeira política ou partidária.  Mas é papel dele formar cidadãos esclarecidos, preparados para o mundo e para escolher seus dirigentes.

Caso o aluno tenha interesse pelo tema de como ocorre as passeatas ou manifestações,;o professor deve ter a oportunidade e livre arbítrio de trabalhar a questão com clareza e objetivo. A fim de levar o conhecimento para o aluno sem causar danos morais, de crenças e valores.

Freire diz que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Em suma, pode-se compreender que atualmente o cidadão está amparado no Art. 5, inciso IV que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. E ainda continua quando se remete “a liberdade de consciência e de crença;e a liberdade de aprender dos alunos (art. 5º, VI e VIII; e art. 206, II, da CF).

 

Importante

Desta maneira, é importante ter consciência do papel da escola e do professor em formar cidadãos com habilidades e potenciais. Diante do conhecimento de mundo adquirido- escolher suas crenças. Como Freire bem pontuou “seria uma atitude ingênua esperar que as;classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

O papel do professor também é mostrar de maneira coerente como o ser humano pode colocar o seu direito de cidadão.  E por vezes é necessário que este enxergue os caminhos por meio da política que gere o seu Estado ou País.

 

Sobre o Autor

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