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A música como elemento filtrante

A música como elemento filtrante

A música como elemento filtrante!

Há um ano que a Braunbär faz eventos. Não é uma experiência vasta, mas já nos ensinou uma porção de lições. Uma delas é o cuidado que se deve tomar com a música da festa. Cuidado é pouco. Ouso dizer que se o financeiro é o coração do evento, a música é a alma. E não há nada pior que uma festa desalmada. Mas,

Cerca de dois meses atrás parei para tomar um café no Starbucks com um amigo em São Paulo enquanto fazíamos hora para uma reunião. Daquele barulho de trânsito ensurdecedor na esquina da Funchal com a Gomes de Carvalho, de repente se fez a paz. Jazz. John Coltrane tocando no volume ideal dentro daquele lugar que parecia um templo da harmonia. Fica fácil pagar R$10 num café, tudo faz sentido. Tomamos dois cada um. A lojinha ao lado não tocava nada, nem vendia seu café por R$4. Vazia e barulhenta.

É claro que existe toda uma magia por trás da marca do Starbucks e a grande maioria das pessoas que passam por ali sequer notam a música que está tocando. Mas você já pensou se tocasse música popular lá dentro? Seria no mínimo estranho. O Starbucks não é popular, tampouco é a música que toca dentro dele. E não digo popular do nível de Wesley Safadão ou artistas do gênero, um Titãs da vida, por exemplo, já não soaria legal.

Nos eventos a lógica é a mesma e a tarefa de compor a playlist perfeita é mais difícil do que parece. A começar pelo fato de que é impossível agradar todo mundo, sempre haverá reclamação vinda de alguma parte. Até aí tudo bem, a vida é assim mesmo, o problema é que se investe muito tempo e dinheiro para montar o elemento mais abstrato da festa, cujo retorno é absolutamente imensurável. Mas,

Encontrar bons artistas é um desafio enorme. Não há um local onde se possa avaliar diferentes opções para escolher a que mais agrada. Plataformas com esse objetivo já foram desenvolvidas, uma aqui em Indaiatuba inclusive, mas não foram pra frente. Fica a dica para os desenvolvedores de plantão, é um mercado carente! Paga-se cachê, palco, som e iluminação. Paga-se o ECAD, taxa referente aos direitos autorais de execução pública musical. Acredite, essa brincadeira toda chega a representar até 40% do valor da festa. Paga-se isso tudo para ouvir aquela pergunta que vem na diagonal, seguida da conclusão que machuca: “Ah mas não vai ter sertanejo? Se tivesse ia dar um montão de gente!”. Mas, 

Não, não vai ter sertanejo e não é para ter “um montão de gente” que estamos fazendo o evento. Absolutamente nada contra os sertanejos, mas nós não gostamos do gênero e não o colocamos em nenhuma festa que fazemos. Simples assim. Apesar de desejar muito, ainda não conseguimos fazer um evento de jazz também. Falta confiança pra isso aqui em Indaiatuba. Tentamos ficar ali na meiuca, sem abusar muito do alternativo, sem fugir muito do popular. Já vagamos por inúmeras vertentes do rock, blues, soul music, eletrônico e MPB.

Vivemos em busca de artistas talentosos da região que tenham algo novo para apresentar. Vivemos em busca de artistas de calibre nacional com cachês acessíveis. Ano passado conseguimos trazer Dom Paulinho Lima, grande cantor revelado no The Voice Brasil, da Rede Globo. Recentemente estivemos pessoalmente com os Brothers of Brazil, dupla formada pelos irmãos Supla e João Suplicy, e ficamos por um fio de fechar negócio. É muito difícil bancar uma atração deste porte apenas com o próprio bolso e inexistem patrocinadores ou investidores que ajudem nesta missão. O que é uma pena, pois, como se pode ver, a música é um crivo incontestável;e o público certamente dará valor àquela empresa que ajudou a trazer seu ídolo para sua cidade. Em tempos de escândalos diários envolvendo a Lei Rouanet, vai ficando cada vez mais difícil falar a língua universal composta de melodia, harmonia e ritmo. Mas,

Enfim, estamos buscando atrações;para a segunda edição do Der Braumeister! Tem alguma sugestão?

Um abraço,

Victor Sanacato

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