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Mico-leão-da-cara-preta ganha projeto de pesquisa e conservação

Mico-leão-da-cara-preta ganha projeto de pesquisa e conservação

Com distribuição geográfica restrita, espécie de primata é uma das mais raras do mundo

Conservacionistas e instituições dos estados do Paraná e de São Paulo estão unindo esforços para a preservação de um primata ameaçado de extinção, o mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara). A espécie é endêmica, ou seja, existe apenas, em uma área restrita situada nestes dois estados – a Grande Reserva Mata Atlântica.

Atualmente, a população estimada é de 400 indivíduos. E está classificada como ‘em perigo’ pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. As principais ameaças estão relacionadas ao isolamento de populações causado pela construção de um canal que separou o continente da ilha, promovendo desconexão de hábitat, além da perda e fragmentação de áreas naturais continentais de distribuição da espécie.

Plano de Ação Nacional

Para contribuir com a proteção do mico-leão-da-cara-preta e implementar ações descritas no Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Primatas  da Mata Atlântica e da Preguiça-de-coleira coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) inicia em março as atividades do Projeto de Conservação do Mico-leão-da-cara-preta.

“O PAN contempla 13 espécies de primatas da Mata Atlântica ameaçadas de extinção, entre elas o mico-leão-da-cara-preta. Projetos como esse são extremamente importantes pois precisamos da cooperação de outras instituições para alcançar nossos objetivos. Essas ações também contribuem para a conservação de outras espécies contempladas no Plano. Que também dividem o mesmo habitat, como o bugio-ruivo (Alouatta guariba), muito suscetível à presença da febre amarela”.

Afirma o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros do ICMBio, Leandro Jerusalinsky.

O projeto, aprovado no edital promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza no final de 2018, terá duração de 18 meses. E também, vai atuar em toda a área de ocorrência da espécie. A área compreende duas importantes Unidades de Conservação: o Parque Estadual do Lagamar de Cananéia (SP); e o Parque Nacional de Superagui (PR).

“Sabemos, por estudos anteriores, que a maior parte da população dessa espécie se concentra nessas Unidades de Conservação. Por isso, queremos investir também em educação para conservação e comunicação para envolver as comunidades do entorno nas ações do Projeto e obter seu apoio”.

Explica a coordenadora do Projeto e representante da SPVS, Elenise Sipinski. Nesse sentido e como primeira ação do Projeto, dois moradores locais serão contratados para auxiliar no monitoramento dos grupos de micos.

Monitoramento

Segundo a responsável técnica do Projeto, Guadalupe Vivekananda, o primeiro passo é o monitoramento dos grupos de micos para que se possa ter uma estimativa de ocupação da população. “Essa informação é essencial para a definição das ações de conservação da espécie. Que pode ser extinta devido à pequena área de distribuição”. Explica Vivekananda.  

A iniciativa também terá apoio do Primate Action Fund;  auxílio de instituições parceiras como a Fundação Florestal de São Paulo; o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); a Plataforma  Institucional Biodiversidade e Saúde  Silvestre da Fiocruz; o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPEC); a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD); e também da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Grande Reserva Mata Atlântica

A região de ocorrência do mico-leão-da-cara-preta faz parte de um grande destino turístico. Devido a seus atrativos naturais, culturais e históricos e por ser o maior contínuo de Mata Atlântica do mundo. A Grande Reserva Mata Atlântica, com aproximadamente 2 milhões de hectares de áreas naturais não fragmentadas, é refúgio de diversas espécies únicas como o mico. A chave para o desenvolvimento desta região está em uma economia restaurativa que utiliza estas riquezas locais em benefício da comunidade.


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