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Coluna Sociall – Qual é a parada?

Coluna Sociall – Qual é a parada?

Cabeçalho SociAll por André Barreto

Orgulhar-se!

Domingo dia 03 de junho, tivemos mais uma Parada LGBTTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Intergêneros). E sim, para muitos é apenas mais uma festa, uma micareta. Para outros tantos (mas cada vez menos) um absurdo. #pride

Mas é festejando que protestamos, é mostrando com alegria e coragem que sim, existimos e não há lei, religião, ameaças, violência, xingamentos e preconceito que impeça que nasçamos. Sejamos como somos. Afinal, existimos desde que o mundo é mundo, desde que a humanidade existe. E isso é incontestável. Pare e reflita sobre isso. Deixe seu preconceito automático de lado por um instante. Calma. Desligue o <sensor> dentro de você.

E acredite não é por causa do beijo gay da novela. Até porquê um mísero beijo gay tem tanto poder assim? Pois, garanto que todos os LGBTTI do planeta crescem <bombardeados> por beijos héteros e nem por isso, tornam-se héteros. Que tal usarmos um pouco a lógica para analisar como as coisas são? Se um beijo gay é tão poderoso assim, seriam os bilhões de beijos héteros na Literatura, TV e Cinema fracos e falhos em levar-nos à heterossexualidade?

Beijos à parte, que atirem o primeiro preconceito quem nunca teve ou tem um parente ou amigo gay ou lésbica? Vamos falar estatisticamente? Segundo o IBGE cerca de 10% da população brasileira é LGBTTI e isso é muita gente, 20 milhões de pessoas. Então a chance do <raio cair bem em sua casa> é enorme. E este número pode ser maior ainda. Afinal, muitos têm medo de assumir-se para o entrevistador do censo. #maisfácilqueganharnaloteria

Fora os casos onde o tal entrevistador, mesmo diante de sua resposta segura e clara, dá uma risada nervosa, e solta: “como assim gay? Você não parece…ele não é seu “primo” ou irmão? Você está brincando? Quer mesmo por isto?”. Sim, por favor, siga o seu treinamento e ponha exatamente o que <eu declaro>. #euconfesso

Confesso que para mim é mais constrangedor pedir ao entrevistador para ver o formulário dele preenchido corretamente, do que dizer às claras a verdade sobre meu status sexual-marital-afetivo. E ainda ficar na dúvida, será que ao sair da minha casa, ele teve a ousadia de mudar minha resposta? #semvergonha

Com o avançar da idade entendemos que assumir-se é antes de tudo um ato de dignidade. É dizer que você existe. É por-se em pé! Queixo levantado pro horizonte. Olhar reto e seguro. É afirmar-se ao mundo, afirmar para si mesmo que você (e a quem mais interessar) não pode envergonhar-se de sua natureza. #visibilidade

Falando nela, vamos usar a ciência para deixar claro a naturalidade sobre nossa existência, o quanto ela é comum. Há sobretudo, comprovadamente mais de 500 espécies de animais, inclusive de mamíferos e primatas como nós humanos, onde há uma porcentagem de seus indivíduos com comportamento homossexual ou bissexual. #criadosporDeus #viadograçasàDeus

Nenhum de nós precisa fazer da sua vida um manifesto. Levantar a bandeira do arco-íris. Sair do armário. Mas cada um de nós que se expõe, mostra ao mundo quantos somos E somos muitos. Quão normal somos. Somos seus irmãos, irmãs, filhos e filhas, amigos queridos de infância, de colégio, de trabalho. Somos mais uns na multidão como tantos outros. Somos humanos e erramos como todos. Temos defeitos, maldades e infelicidades. Quem não as têm?

Mas também amamos, transamos, beijamos, namoramos, casamos, trabalhamos, construímos, cuidamos de nossos parentes e amigos. Pagamos impostos, cumprimos leis. Como você, ele, ela. Aquele outro qualquer no ônibus, na sala de aula, na praia, no laboratório, no chão de fábrica.

Somos peões de obra, motoristas, estilistas, professores, políticos, atletas, boxeadores, caminhoneiros, mecânicos, bombeiros, cientistas, escritoras, novelistas, médicas, açougueiros, modelos, militares, atores, pintoras, diretores de colégios, religiosos, o galã da novela, a heroína do filme. Somos a pessoa ali parada na esquina. Somos a filha amada, o neto preferido, até a ovelha-negra. Aquele caçula tímido ou o gêmeo cheio de amigos. A desajeitada do ballet, o talentoso no futebol. Somos sim, a <criança-viada> de apenas três, cinco ou sete anos da Família Doriana bem estruturada, tradicional, amorosa e religiosa. Do papai-de-família provedor e mamãe dona-de-casa zelosa. #diversidade

Acredite, para um LGBTTI nascer basta um casal hétero se formar. Decerto, pode ser um casal lindo que se ama há anos, casados sobre as leis e desígnios de Deus, comungantes, confessantes e tudo mais. Pode ser um casal disfuncional, agressivo, de alcóolatras, adúlteros de marca maior ou irresponsáveis de qualquer tipo. Fruto de apenas uma noite louca de sexo casual, uma camisinha estourada, uma pílula esquecida.

A <diversidade> que tanto falamos e que representa a nossa bandeira do arco-íris, também se encaixa como P E R F E I T A representação dos casais que nos geram. Um óvulo, um espermatozoide e um pouco de glitter estatístico divino. E têm-se um de nós! Plim!!! Nasce um unicórnio! #rainbowpower

Desculpe-me dizer a verdade, mas nem eu, nem você, nem o Papa ou o Trump podem controlar ou mudar isto. Não foi uma <fraquejada> do machão na hora H. Ora, ora, ora …machões também nos geram. Presidenciáveis deveriam saber disto. Demonstraria um mínimo de bom senso e inteligência por parte dele. #mitei

O preconceito é um círculo vicioso. Contudo, tem-se preconceito pelo medo de sofrê-lo. Nossos pais morrem de medo de serem humilhados e discriminados por parentes, amigos e vizinhos ao descobrirem que eles têm um filho LGBTTI. Então, reproduzem dentro de casa este medo, esta vergonha, esta repulsa. Quando alguém <descobre-se, percebe-se> como um LGBTTI muitas vezes ao detectar este preconceito pulsante e forte dentro da própria casa, o primeiro passo é negar e reproduzir internamente o preconceito.

A primeira barreira sobretudo, que nós temos que vencer é o preconceito e até repulsa que sentimos de nós mesmos. Por absorvermos este preconceito dos nosso pais, irmãos, parentes, amigos, professores, vizinhos, etc. É duro e sofrido. É assustador e solitário para um adolescente “perceber-se” assim. E o mais triste disto, é quando para disfarçar <sua verdade>, criar uma cortina de fumaça, você se demonstra um ferrenho preconceituoso a outros LGBTTI.

Sabe aquele primo que você sabe que também é gay, mas apesar de seu silêncio e discrição sobre a sexualidade dele, você é sempre alvo da fofoca e maledicência dele? E acha que ficar cochichando sobre você para toda a família vai esconder de todos a “pinta” gigantesca que ele dá o tempo todo. E que o fato dele nunca ter uma namorada também não passa batido da percepção de todos. Dica: por favor, não atirem pedras se você também tem telhado de vidro. É triste e feio.

Mesma coisa quando você vê um <machão conquistador> que adora se exibir e contar suas peripécias sexuais e enumerar parceiras. Desconfie de quem faz propaganda demais de sua heterossexualidade. Tirando os héteros que sofrem de verdadeira compulsão sexual, que são uma minoria, a chance de ser apenas um bissexual ou gay disfarçando desesperadamente sua verdade é enorme. #machodiscretoforadomeio

E sim, ele pode ser seu marido, pai, noivo, namorado de uma década. Seu crush que te esnoba, e não te liga no outro dia e que você e todas juram que é um “cafajeste namorador” que não resiste a um rabo-de-saia. A realidade  portanto, pode ser bem outra. E é mais frequente do que você imagina. Mas calma aí, antes de condená-lo, só pense que se não houvesse tanto preconceito, ele provavelmente não precisaria fazer isto. E que além de enganar e magoar você, ele se engana e se machuca muito. #avidacomoelaé

O preconceito é a chave de tudo. Ele é a linha negra e nefasta que costura tudo isto: o medo, a vergonha, a humilhação, a violência, o choro escondido, o abandono, os abusos verbais e psicológicos, a auto-repulsa, a mentira, a vida dupla. E para isso a única cura é o amor. Sobretudo, ame-se, ame sua natureza. Ame seu filho, seu amigo ou parente LGBTTI. O amor próprio ou a terceiros gera respeito. Respeito gera aceitação, apesar das diferenças. Respeito e aceitação trazem dignidade. Libertam.

E assim como a sexualidade e identidade sexual (são coisas diferentes, okay?) são construções psicológicas e sociológicas que são construídas ao longo de uma vida toda (desde a infância). Por favor respeite quem não saiu do armário, seja LGBTTI ou pais e parentes de LGBTTI. Cada um tem seu tempo para processar tudo, chegar as suas conclusões, definições. Curar-se, aceitar-se. Refazer suas relações, construir novas definições, criar uma nova verdade, uma nova realidade. Em suma, só rezo para que todos um dia tenham coragem de fazê-lo. O armário é um local muito pequeno e escuro para abrigar um sentimento tão enorme e luminoso quanto o amor. #lovewins

PS1:

Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo têm leis contra homofobia e transfobia, assim como as capitais: Fortaleza, Recife e Salvador. Alguns estados não têm legislação específica, mas possuem delegacias especializadas.

PS2

Denúncias podem ser feitas através do DISQUE 100 (serviço gratuito e nacional), diretas no site da Polícia Federal: denuncia.pf.gov.br ou em ONGS como a www.direitohomoafetivo.com.br e www.abglt.org.br.

PS3

Há diversos grupos de apoio para pessoas LGBTTI e Pais LGBTTI: www.grupodignidade.org.br/projetos/grupos-de-apoio/
www.arco-iris.org.br/destaques/apoio-terapeutico/
www.gph.org.br/faleconosco.asp
www.facebook.com/pg/MaespelaDiversidade
Grupo de Pais LGBTTI Unesp – [email protected]

PS4

Atendimento Gratuito Médico-psicológico a Transexuais, Intersexuais e seus Familiares:

Pará: Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais – (91) 3244 5364 – http://www.sejudh.pa.gov.br/

Ceará: Hospital de Saúde Mental de Messejana (HSMM) – (85) 3101-4348 /) 3101-4328 – www.hsmm.ce.gov.br/

Paraíba: Complexo Hospitalar Clementino Fraga – (83) 3218-5449 – www.saude.pb.gov.br/

Goiás: Hospital das Clínicas da UFG – [email protected]http://www.hc.ufg.br/

Distrito Federal: Hospital Universitário de Brasília (HUB) – www.unb.br/servicos/unb/saude.php

Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS da Diversidade) – (61) 3346-9332 / 3224-4898

Minas Gerais – Uberlândia: Ambulatório Amélio Marques – Hospital das Clínicas da UFU – www.hc.ufu.br/extranet/

São Paulo – São José do Rio Preto: Ambulatório Municipal de Saúde a Travestis e Transexuais – (17) 3235-6667 / 3234-4314 – [email protected]

São Paulo – Capital: Hospital das Clínicas de São Paulo – USP –  (11) 3069-6284 / 3069-6267 / 3069-6576 – [email protected]www.hcnet.usp.br/ipq/prosex/index.htm

Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais – (11) 5087-9831

Rio de Janeiro: Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) – (21) 2299-9285 – [email protected]

Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) – UERJ – (21) 2587-6222 – [email protected]

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ – (21) 2562-2601 – [email protected].

Rio Grande do Sul: Hospital das Clínicas de Porto Alegre – UFRGS – (51) 3201-8294 – [email protected]www.ufrgs.br/psiq.

Centro de Saúde Vila dos Comerciários – www2.portoalegre.rs.gov.br

 

 

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