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Coluna CriativHarmos: A Melodia Está Morrendo

Coluna CriativHarmos: A Melodia Está Morrendo

Olá leitores, confesso que dessa vez, minha segunda coluna aqui nesse espaço, tive um certo capricho em escolher o assunto a qual eu abordaria.

Eu queria escrever algo que realmente fosse original e profundo. O universo já me dava pistas do que estava por vir. Na mesma semana, uma conversa com um amigo sobre a música pop e seu mercado e uma discussão sobre K-Pop numa das maiores estações de rádio do Brasil.

Mas o golpe final veio quando eu não esperava. Durante a programação em horário nobre na maior emissora de TV do país, ouvi uma música que me deu a certeza sobre o que eu ia escrever.

7 Rings

A música tinha vários elementos em comum com as que são tocadas nos fones de ouvido da maioria dos jovens por ai. Sintetizadores e beats muito comuns da música eletrônica. Não é o tipo de coisa que toque no meu fone de ouvido, ainda assim, aquela melodia era familiar. Eu tinha certeza já ter ouvido aquilo antes, de outro jeito. O hit, se trata de ”7 Rings”, da cantora estadunidense Ariana Grande.

A canção, que estreou em primeiro lugar na Billboard Hot 100 (tabela das músicas mais vendidas EUA), é composta por basicamente, duas partes. Na primeira, ela utiliza a melodia de ”My Favorite Things”. Composta pela consagrada dupla de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, para o musical da Broadway de 1959 ”The Sound of Music”. E que faz parte da linda e premiada trilha de ”A Noviça Rebelde”, filme de 1965. Um clássico, que foi regravado por grandes ícones da história da musica como; John Coltrane, Tony Bennett, Sarah Vaughan, entre outros. E aí estava a minha familiaridade com aquilo.

Na segunda parte, algo original, mas o que me intrigou? A falta de conteúdo melódico. Sem adicionar muito a mais, eu decidi transcrever os trechos. Se você não lê partitura, não tem problema, você pode ouvir a música e analisar graficamente:

Falta de Variação

Primeiramente, gostaria de observar que transcrever o segundo trecho precisamente é uma tarefa quase impossível, já que a letra nesse momento, é mais falada do que cantada. Dito isso, essa matéria  não é sobre o que faz uma melodia ser boa. Eu devo dizer aqui sobre o uso de variações de rítmica e altura, implicitar uma harmonia. Mas me aprofundar nisso seria assunto pra outra coluna.

De qualquer forma, é possível perceber como a melodia se apoia sempre na mesma nota. Sem muitas variações se contrapondo com a melodia do primeiro trecho, sexagenária.

Pra descobrir se essa é uma tendência atual, abri hoje (5 de agosto) a lista da Billboard Hot 100. Vamos ouvir e ler algumas melodias dessa lista.

Bad Guy

A canção, que faz parte do álbum de estréia da cantora estadunidense Billie Eilish, é atualmente a segunda da lista da Billboard americana. Confira sua melodia:

Truth Hurts

Composta pela cantora e rapper estadunidense Lizzo, o hit de 2017 ainda frequenta a lista das mais tocadas até hoje, e também faz uso desse recurso.


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I Don’t Care

Lançado em maio desse ano, essa canção de Ed Sheeran, em colaboração com Justin Bieber, támbem está no top 10 da Billboard americana.

Sucker

O single que marca o retorno da banda Jonas Brothers após seis anos, também não escapou da tendência e mandou seu pré-refrão de duas notas.

Melodias de outros sucessos comerciais:

Poker Face

Lançada em 2008, a canção de também Lady Gaga liderou as paradas mundiais.

What Makes You Beautiful

De 2011, a canção da boy band One Direction, frequentou o top ten das mais vendidas nos Estados unidos e dominou o mercado britânico.

Se ouvirmos o main stream nacional, podemos também observar a mesma tendência. Deixando claro que a estética da música mundial sofreu uma grande mudança. Desde a expansão dos recursos eletrônicos há pelo menos 30 anos. Agora, é possível que você se pergunte o que eu acho disso.

Apesar de eu saber que a melodia é a identidade de uma música, não vejo problema na falta de uma melodia interessante. Pois por outros elementos musicais, é possível conseguir uma música autentica e interessante. Agora, quando praticamente tudo o que se ouve nas rádios e é amplamente consumido pela massa soa como um grande samba de uma só. Justifica-se uma preocupação com o rumo da música mundial. 

Gostaria de encerrar agradecendo novamente a revista Dávila pelo espaço. E a minha mãe, que em sua condição de noveleira, não para de cantar ”7 Rings”.

Sobre o colunista:

Erick Delmora – Professor de Guitarra no Centro Musical Harmos 

Estudante musical desde os 12 anos, Erick Delmora tem especialização no jazz pelo método EM&T (Escola de Música e Tecnologia) e em 2014 ingressou no Conservatório de Tatuí. Está sempre ao lado de grandes nomes como Nelson Faria, Fábio Leal e Beto Corrêa. Mas

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Sobre o Autor

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