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Bailarina de Indaiatuba é selecionada para dançar nos Estados Unidos

Bailarina de Indaiatuba é selecionada para dançar nos Estados Unidos

Beatriz Bueno, da Estúdio em Cena, recebeu bolsa integral da National Ballet Academy Denver

Determinação é a palavra que define a jovem Beatriz Bueno (18), que em janeiro embarca para os Estados Unidos. Depois de participar de diversas competições de dança, ela foi selecionada para fazer parte do seleto time de bailarinos da National Ballet Academy Denver. Mas, para chegar a este momento, o caminho foi longo e de muita dedicação.

Beatriz começou a dançar aos 4 anos de idade. Diferente do que se possa imaginar, porém, tornar-se uma bailarina profissional não estava em seus planos — ela queria ser super-heroína. “Eu gostava um pouquinho de jazz e nada de ballet. Para ter uma ideia, o ballet foi aparecer em minha vida somente quando fiz 14 anos. O que eu queria mesmo era ser uma super-heroína que voasse”, relembra Beatriz.

A mudança de pensamento veio somente em 2012. Na época, a jovem começou a fazer jazz na Estúdio em Cena e não demorou muito para que o seu talento fosse percebido. O problema, no entanto, era que Beatriz vivenciava a crítica fase da adolescência.

“A Bia entrou na Estúdio em Cena com 12 anos; uma típica adolescente rebelde. Ela sempre teve muito talento, mas faltava deixar de lado essa rebeldia para se dedicar mais. Então, quando ela fez 14 anos resolvemos oferecer uma bolsa de estudos de ballet. Ela aceitou meio a contragosto, mas sabemos que foi ali que algo começou a mudar dentro dela”, conta a diretora da escola, Michelly Juste.

E de fato mudou. Após ser reprovada em um exame interno da academia, a jovem percebeu que tanta teimosia não a levaria longe. Adotou uma nova postura e incluiu ensaios diários em sua rotina.

“Eu comecei a ensaiar, fazer aulas e alongamento todos os dias; sozinha e com a Michelly. Treinei bastante os saltinhos, que são minha maior dificuldade e poderiam me deixar para trás em qualquer audição. Foquei bastante nas minhas fraquezas. Tinham dias em que eu chegava na Estúdio às 8h e ia embora somente às 22h. Optei por ir conquistando o mundo aos poucos com a minha garra e determinação”, explica a bailarina.

Momentos difíceis

Ao mesmo tempo em que Beatriz decidiu trilhar o seu caminho dentro da dança, ela percebeu que esse não seria um percurso fácil. Por diversas vezes pensou em desistir e foi preciso muita força de vontade para não jogar tudo para o alto.

“Eu tento uma bolsa de estudos ou contrato desde os 16 anos. Sempre foi muito difícil receber os vários ‘nãos’. Eu me dedicava tanto e era sempre muito elogiada, e não entendia o que estava fazendo de errado; porque ninguém me queria. Até que um dia pensei no quanto já havia me esforçado, nas diversas bolhas e dores, além de todo dinheiro investido. Olhei para tudo isso que fiz até agora e vi que não podia desistir”, lembra Beatriz.  

Para a diretora, é preciso não só preparar os alunos tecnicamente, mas também mostrar que cada vitória ou derrota ajudam a ensinar o caminho certo. “Esse é um mundo muitas vezes cruel. Assim como toda profissão, exige muita disciplina e estudos diários. A cada ‘não’ que ela recebia, me via na obrigação de dizer que esse era só o começo e que isso fazia parte do aprendizado. É por isso que adoro contar a história da Bia, pois para mim ela é um exemplo em todos os sentidos. Disciplina, foco, determinação e amor. Me emociono só de pensar em todo esse caminho percorrido e o tanto que ela ainda tem a aprender”, avalia Michelly.

National Ballet Academy Denver

O processo de seleção de Beatriz para a National Ballet Academy Denver se deu após sua inscrição no PRIDANSP – Prêmio Internacional de Dança de São Paulo. Na ocasião, a bailarina foi avaliada em palco e também durante os cursos e as aulas que realizou. Contudo, apesar de toda confiança, o seu nome não apareceu como uma das selecionadas para bolsas e contratos.

“Naquela manhã, assim que terminei as aulas de audição, os professores chamaram os números selecionados e o meu não estava. Eu fiquei triste, mas decidi ficar para assistir a gala de premiação que aconteceria à tarde. No fim das apresentações, foram chamados os ganhadores das bolsas, mas eu não prestei muita atenção, pois já sabia quem eram os escolhidos”.

Mas, o que Beatriz não sabia é que os jurados não haviam selecionado todos os bailarinos. Restava ainda uma bolsa para a escola de Denver e a jovem de Indaiatuba foi a escolhida. “Eu quase não acreditei. Eu estava ali somente para prestigiar os vencedores quando, de repente, escuto o meu nome. Recebi a bolsa de 6 meses da National Ballet Academy Denver, mas já me avisaram que esse período pode ser de 2 anos”.

A viagem

A ida de Beatriz para Denver já tem data marcada. No dia 4 de janeiro ela embarca sozinha para os Estados Unidos, onde ficará hospedada em uma host family. Mesmo sem saber como será a sua rotina no novo país, a bailarina, que não esconde a sua ansiedade, revela quais são seus planos para a nova fase.

“Quero aproveitar tudo! Sugar o máximo de conhecimento dos meus professores e ter aulas de pas de deux, que é um dos meus sonhos. Também estou com um pouco de receio por conta da língua, porque não sei falar inglês. Mas, sei que de algum jeito irei me virar. Estou super ansiosa para essa nova experiência que demorou, mas chegou. Vou aproveitar até o que parece ser insignificante”.

Vaquinha online

Para arcar com os custos da viagem, que giram em torno de R$ 5 mil, Beatriz precisou recorrer a uma vaquinha online. A dinâmica é simples: basta acessar este link, clicar em “contribua” e doar qualquer valor.

Estúdio em Cena e a formação de bailarinos

Inaugurada em 2007, a Estúdio em Cena sempre se posicionou como uma escola de dança que incentiva o estudo e o aprendizado. Para isso, ela busca informações dentro e fora da academia, com profissionais qualificados.

“A profissão de bailarino é muito difícil; ela exige foco, disciplina e determinação. Em sala de aula preparamos a técnica, pois é lá que um bom bailarino se forma. E apesar de todas as dificuldades, ser um profissional da dança é algo admirável; viver do que se ama é mais ainda! Precisamos valorizar cada vez mais a arte como um todo, pois certamente ela forma cidadãos mais sensíveis e preparados para vida”, pontua Michelly.

Para a bailarina que está prestes a dar um salto em direção ao profissionalismo, reconhecer a origem de sua base fortalece ainda mais a importância da escola de dança no desenvolvimento da carreira de seus alunos.

“Tudo isso que estou vivendo também é mérito da Estúdio em Cena. Tanto ela quanto o Guto, diretor da escola, sonharam o meu sonho e me ajudaram a realizá-lo. Tenho muita gratidão a eles, pois sei que o esforço deles foi fundamental para que o meu objetivo fosse alcançado. Nunca irei esquecer que minha base foi a Estúdio em Cena”, revela Beatriz que ainda recebe um incentivo extra de sua diretora: “Que ela nunca se esqueça que todo aprendizado foi importante para que se tornasse o que ela é hoje. Quando se sentir desanimada ou triste, mantenha o foco e lembre-se o quão forte é e que estaremos sempre aqui torcendo, afinal de contas somos uma família”, finaliza Michelly.

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