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Ah a maternidade

Ah a maternidade

Destaques da História

Cabeçalho Coluna Divã das Mães por Larissa Fonseca para Revista DÁvila

Crescemos com a ideia de maternidade como plenitude, majestosa, que a maternidade completa o que está incompleto, preenche o que ainda está vazio, se encaixa perfeitamente no que está faltando…

Ah e quando vemos as atrizes, as modelos, a vizinha, até nossas amigas. Todas sempre dizendo o quanto a maternidade é maravilhosa, as bênçãos que são os filhos e as maravilhas desse momento. Desde a gravidez, vemos fotos das futuras mamães sorrindo, lindas, em forma, dispostas…

Mas quando chega a nova vez… Sabe aquela famosa lei? A lei de Murphy (aquela que diz que: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”) parece que se concretiza imediatamente e bem conosco, na nossa vez de viver essas maravilhas todas.

Meu Deus! Na gravidez foram tantos enjoos! Um apetite que não cabia em mim e comia não por 2 (ou 3) mas sim por um time de futebol inteiro! O cabelo caia como as água das Cataratas do Iguaçu… Pele manchada, aquela vontade incontrolável de ir ao banheiro a cada 20 minutos! Gases então….deixemos pra lá… Os seios cresceram e não cabiam mais em nenhum. A disposição ia diminuindo e me lembrava da minha bisavó que adormecia a cada lugar que se encostava (com a diferença de que eu nem precisava me recostar em algum lugar, tanto era meu sono o dia todo). Ah! Sabe aquela peixinha personagem de desenho? Como me identificava com ela! Me esquecia tão rapidamente das coisas que cheguei a consultar um neurologista achando que estava com algum problema grave no cérebro (pensei até no tal Alzheimer).

Mas confesso que me sentia culpada. Afinal, estava gerando uma vida em mim! Contava para todos o quanto estava feliz, e guardava todos esses outros sentimentos só para mim.

Então nasceu meu bebê. Sim, uma emoção inimaginável indescritível! Alegria, euforia, medo, tensão, ansiedade, amor, ah era tanta coisa junta que nem conseguia identificar. Os primeiros dias no hospital foram cansativos, mas jamais poderia imaginar que, a partir dali passaria a ter sentimentos e sensações que até então desconhecia, aliás, nem sabia que conhecia. Todos os dias tinham momentos gloriosos, mas também, principalmente nos 3 primeiros meses, momentos de desespero e cansaço extremo. Aliás, dizem que nesse período a mãe não vive, ela somente sobrevive. Me senti assim!

Mamada a cada 3 horas, choros que não conseguia decifrar…E a privação do sono? Gente, vocês sabiam que isso era usado como método de tortura durante o período de Guerra? Pois é! A privação do sono é um dos grandes desafios e também gera muitos outros… Parece que as pessoas não entendem…Como assim você está cansada? Passa o dia todo em casa! É só dormir quando o bebê dorme! Mas ele é tão bonzinho… Pois é…dá vontade de sair perguntando: você dorme 8 horas seguidas? Você toma banho de porta fechada e lava o cabelo em seu tempo? Faz suas necessidades e prepara sua alimentação sem ter que parar a cada minuto para atender um choro, amamentar….Seus hormônios estão no lugar?! Além disso, com bebê/criança em casa, parece que ouvimos choro até quando não tem!

E o baby blues? Nunca haviam me falado sobre ele!

Aquela melancolia que dá após o parto ou alguns dias depois (diferente da depressão pós parto que é também um problema considerável!). Como foi difícil! Tinha um bebê saudável e bonzinho, estava realizando um sonho, mas as lágrimas, incompreensivelmente, rolavam sem parar. Confesso que, além de culpada, me sentia demasiadamente envergonhada. Ouvi tantas mulheres relatarem a felicidade pela que a chegada dos filhos lhe proporcionaram e eu ali, sentindo-me limitada, sentindo saudades até de quando acordava cedíssimo para ir a uma reunião chata de trabalho e invejando todos que saíam de casa para trabalhar, estudar ou qualquer outra coisa. Estava ali, quase presa e a mercê das vontades daquela pessoinha que pesava pouco mais de 3 kg. Só pensava o que seria da minha vida e que nunca mais as coisas voltaria ao normal (de fato isso nunca aconteceu mesmo, agora o normal é outro… rs).

E que mãe não fica indo ao berço do filhote a cada 5 minutos para ver se ele está respirando?

Mesmo quando tentamos, não conseguimos desligar! Ai veem as cobranças….dos outros e suas consigo mesma. De como fazer com o filho, de como não fazer com o filho, de como deve se sentir, de como não deve se sentir, do que deveria fazer se deve aceitar ajuda se não deve aceitar ajuda… atenção ao marido, ao trabalho, a casa, a si mesma…

Ahhhh e os conselhos? Todos têm um pra dar! Mas parece que quase todos são mais broncas do que conselhos ou então são ditos só para que você se sinta a pior mãe do mundo. “Tem que dar de mama toda vez que o bebê quer senão o seio empedra!”; “Ah, se der de mama sempre que o bebê quer ele fica mal acostumado!”; “Meu filho sempre dormiu a noite toda!”; “Você precisa se cuidar e sair com o marido!”; “Nossa, ele ainda não senta?!”; “Você vai dar isso para ele comer?”; “Dizem que embrulhar o bebê assim causa morte súbita”; “Dizem que não enrolar o bebê assim o deixa inseguro”… e por ai vai…

Penso nas mães de filhos que têm problemas de saúde, problemas motores ou outros desafios muito maiores…nossa, como essa tal maternidade é conflituosa! Nós, mulheres que até então nos sentíamos tão seguras, decididas, antenadas e informadas, passamos a ser dominadas por uma sensação de dúvida e incertezas constantes, muitas vezes perdidas, enlouquecidas por informações e fórmulas mágicas para o bebê comer, dormir, se comportar, etc etc etc e, ao mesmo tempo, tão apaixonadas e extremamente felizes com nosso(s) pequeno(s) em nossa vida sem poder imaginá-la mais sem ele(s)!

E os meses vão passando

A avalanche inicial vai se acalmando. A turbulência de sentimentos vai se aquietando e tudo parece que vai se encaixando novamente, agora em um novo molde. Não sei se é o comportamento do bebê que melhora ou se somos nós mesmas que vamos aprendendo a confiar e adquirindo mais confiança com nosso instinto materno, nas informações que recebemos dos livros e de profissionais, se passamos a conhecer melhor nossos pequenos e a reconhecer nossos próprios limites e habilidades. Insegurança, culpa, aquela dúvida de “será que estou fazendo o certo” estão sempre presentes, mas com um controle maior.

Outro ditado popular diz que maternidade é como jogo de vídeo game: a cada fase que passamos chega uma ainda mais difícil. Não sei bem se mais difícil ou mais fácil, mas cada uma delas certamente desafiadora.

Com o tempo aprendi que toda mãe passa por essa avalanche. Mas parece que escondem pois culturalmente é um sacrilégio expô-la. Porém, esses sentimentos não são indignos de uma mãe! Pelo contrário! Eles são reais, aceitáveis e normais!

E então me acalmei. Descobri que não existe mão perfeita. Que não existe um só padrão. Que existe mãe possível, que nem sempre aquilo que é bom para o outro, funciona para mim, que nem tudo aquilo que o outro acredita é o que é verdadeiro e que o principal é fazer seu melhor, se respeitando como pessoa, mulher, que nem sempre acerta, que terá seus momentos difíceis e nem por isso será melhor ou pior mãe, mais ou menos mãe. É muito provável que tudo isso só se passe em sua cabeça. Aposto que seus filhos te achem e sempre te acharão a melhor mãe do mundo!

E é por isso que digo que a maternidade é sim repleta de desafios e alegrias. E que são essas alegrias que fazem as mulheres continuarem a ser mães! Quantas vezes se perguntar a uma mãe se valeu a pena, ela provavelmente responderá que valeu e vale muito a pena!

Pra quem já viveu e pra quem ainda pretende viver o prazer de se tornar mãe, bem vindas à esse universo repleto de crises e maravilhas! Busque sim informações e ajuda, afinal existem muitos estudos, pesquisas e conhecimentos que nos auxiliam nessa encantadora e desafiadora jornada, mas lembre-se, mãe perfeita não existe, então, seja uma mãe possível!

Nossa coluna se inicia hoje… Bem Vindas ao Divã para Mães!

Aqui, vou abordar temas dessa prazerosa, porém desafiadora, jornada que é a maternidade. Filhos, Educação, Comportamento, Desenvolvimento Infantil, família, e muito mais…

São 18 anos de estudos, pesquisas, publicações, experiências profissionais e pessoais.

Espero que gostem! Espero contribuir positivamente para que todas vivam plenamente uma maternidade possível!

Agora é hora de convidarem as amigas para curtirem e seguirem também!

Grande abraço e até breve!

Larissa Fonseca

 

 

 

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