Delação premiada no contexto pedagógico

Delação premiada no contexto pedagógico

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Delação premiada no contexto pedagógico

     Ouvimos falar muito sobre o termo delação premiada nos últimos tempos. A delação premiada é uma troca de favores, na qual o acusado fornece informações ao juiz em troca de um prêmio que lhe concede a redução de sua pena em 1/3.

     Na verdade a delação premiada corta caminho na investigação. E com esse atalho há mais rapidez para a solução dos crimes, beneficiando o Estado.  Ela é usada nos casos específicos como os de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, latrocínio, estupro, sequestro e homicídios.

     Como educadora fiquei pensando no que ensinaríamos aos alunos se instalássemos este sistema dentro das escolas. Embora saiba que muitas usam esse método, resolvi pensar nos prós e contras dentro do sistema escolar.

     Delatar o outro nunca foi visto com bons olhos. Tanto que os delatores são chamados de  “dedo-duro”, “X9”, “fofoqueiro”,  “Judas” entre outros apelidos que se apregoam.

     Desta forma, é preciso fazer algumas reflexões. Incentivar a delação é um ato que deve ser incentivado em casa e na escola? Como se sente o delator? E o delatado? Quais as consequências para eles no meio social? O que trabalhar com o delatado, que é incapaz de assumir os seus atos? Como levar a criança ou adolescente a reconhecer seu erro, sem usar a via da delação? Que percepções ficam para o delator e para o delatado? A delação premiada faz o delator mudar de postura ou o incentiva a livrar a sua pele e se dar bem?

      A administração das questões éticas e morais em casa e na escola deve ser muito pensada e avaliada. Pois as condutas tomadas pelos adultos refletem nas percepções e atitudes dos alunos, cidadãos já hoje e responsáveis pelo nosso futuro.  Ações ligadas à verdade e mentira, certo e errado, justo e injusto, ético e não ético frequentemente rondam as famílias. Como os professores, as salas dos coordenadores e diretores, que têm uma missão difícil ao analisar e avaliar cada caso, tomando decisões apropriadas e educativas.

     Com certeza essa missão precisa passar por processos de  análise e reflexão. Sem deixar de lado a afetividade, combinando investigação, orientação e “consequentização”.

     Piaget que também estudou as fases do desenvolvimento moral das crianças/adolescentes, aponta que eles passam por vários estágios, indo da fase da inexistência de regras, passando por achá-las invioláveis e sagradas. Indo para o momento de vigiar e cobrar as regras nas atividades coletivas até a chegada da autonomia. Quando agem de acordo com princípios aprendidos. Mas,

     Enquanto a autonomia não chega, cabe aos  pais, professores e familiares trabalharem incessantemente as ações desejadas para que a criança/adolescente se transforme num adulto correto e valoroso. Fingir que não viu ou ouviu algo inadequado, esperar que a criança/adolescente por si só se corrija. Defender os filhos diante de erros cometidos ou buscar justificativas para explicar seus erros são atitudes que atrapalham a formação moral das crianças/adolescentes. Mas,

     Tanto em casa como na escola os problemas devem ser investigados, apurados e concluídos. Usar o recurso da delação premiada buscando que o irmão, amigo ou colega da classe denuncie o infrator mostra primeiramente uma incapacidade do adulto em gerir o problema. Apelando para um jeito mais rápido e pouco ético para solucionar o problema. Mas,

     Quando um professor, pai ou diretor investiga uma situação, busca soluções, indaga,;levanta hipóteses, questiona, compara fatos, mostra coragem e ousadia, faz simulação da ocorrência.  Ele passa a ser admirado pelos alunos ou filhos que o enxergam;como alguém interessado em desvendar o problema, habilidoso, cuidadoso, apto para gerenciar conflitos e passa a ser visto como alguém confiável. Mas,

      Tudo isso dá muito trabalho e na maioria das vezes. Os adultos têm preferido tomar os atalhos;a usar seu tempo na solução dos conflitos perdendo grande oportunidade de conhecer melhor os seus filhos/alunos.

      Rosângela Silva


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