Entrelinhas

oculis presto

Entrelinhas

Lembro muito bem, o sol era mais morno, as tardes mais alegres, e meu sorriso ainda era formado por dentes de leite…
Não me lembro bem quantos anos tinha, mas ainda nem tinha entrado no “prezinho”, havia uma garota que subia a rua da minha casa, tinha cabelos pretos, sempre amarrado em um rabo de cavalo, e tinhas fitas enroladas em suas pernas….
Tinha olhos claros, talvez um verde, nunca soube, pois nunca me aproximei dela.
Uma vez olhando por cima do muro vi ela subindo e gritei algo para ela, não lembro oque, me escondi atrás do muro, ela achou que estava zombando dela…
Não estava, nem sabia que as fitas ao redor de sua perna eram porque ela tinha as pernas tortas… alguma doença infantil que poderia ser consertada com aquelas fitas.
Que possivelmente a deixava com vergonha.
As mesmas fitas que fazia com que eu achasse que ela era uma princesa.
As mesmas que fizeram eu me apaixonar por ela.
Quando volto meus pensamentos ao meu primeiro sentimento de paixão, lembro dela.
Desde criança eu já me envolvi nessas paixonites, já no prezinho desenhei todos os símbolos de super-herói que conhecia e descobri que deveria ofertá-los a alguém.
Não tive dúvidas, havia uma garota na outra sala
E o desenho foi para ela, lógico que não sabia que eu mesmo teria que levá-lo e isso foi o meu grande momento em que meu coração ficou frio e vazio e logo depois barulhento e cheio de sentimentos expandindo como se fossem uma supernova.
Aprendi cedo o que era gostar de alguém, e o quanto era fácil magoar alguém e se enganar com o que achamos que era gostar de alguém.
Aos onze estava na quinta série, e uma loira linda que apelidei de ” dama de vermelho” pois ela usava um conjunto de jaqueta e minissaia ( isso existia muito nos anos noventa) chegou em mim e meio que me “empresáriou” no ensino fundamental.
Me apresentou garotas, me deu meu apelido, me fez popular e me ensinou a beijar.
1995 foi um grande ano.
Mas acho que o ponto mesmo é 1997.
História simples…
Rapaz conhece garota
Rapaz se apaixona por garota
Garota se apaixona por rapaz
Rapaz e garota vivem grandes momentos
Garota vai embora
Rapaz sofre.
Não sei direito com foi depois disso, era adolescente e estava ocupado demais, odiando meus pais, odiando o mundo, lendo filosofia, conhecendo Nietzsche, conhecendo Maquiavel, fumando maconha, se apaixonando, se apaixonando de novo, se apaixonando de formas que não sabia que podia se apaixonar, fazendo merda de várias formas, com pais, parentes, amigos, namoradas….
Ou seja … Adolescência
Aquele momento que não usamos para citar nossas conquistas
Aquele momento que aprendemos o que constrói nosso caráter quando fazemos coisas que temos vergonha de contar.
Aquele momento em que nos perdemos dos conceitos morais, que questionamos Deus, que desrespeitamos nossos pais e julgamos suas palavras.
Aquele momento lindo que sinto tanta falta.
Sabe uma coisa que sinto falta?
Adolescência sempre focou no relacionamento
Eu tinha uns mil amigos sem precisar de Facebook para contar.
Eu saia e não precisava marcar eventos.
Ia no Jogada de Mestre de quinta-feira e sempre tinha alguém que eu conhecia.
E o melhor!
Quando um relacionamento tinha “crises”
Você chegava em alguém e desabafava, essa pessoa chegava na sua namorada e dava um “toque”
As pessoas confiavam umas nas outras, elas aceitavam conselhos.
Eram falhas e aceitávamos isso.
Hoje todo mundo tem seu mundo e se acha perfeito
Nem todo mundo, mas o bastante para termos conhecido alguém assim.
Relacionamento é foda hoje.
Era mais fácil antes.
Mas antes de encerrar esse texto
Quero compartilhar que muitas pessoas já me disseram que estariam sempre ao meu lado
Acreditei na maioria delas que me disseram que me amariam para sempre.
Sempre tem isso, certo?
Mas ficamos meio duros com o tempo.
Estou meio duro agora, embora esteja amando.
Isso já é algo a se pensar certo?

Sobre o Colunista:

Marcio_Nunes_Oculis_Presto_Revista_Davila

Meu nome é MÁRCIO NUNES, responsável pela Coluna ‘Oculis Presto’, na verdade sou Designer Gráfico e não escritor. Para entender porque escrevo temos que voltar um pouco no tempo. Acho que se alguém próximo merece o mérito, minha irmã mais velha, ela mantinha um diário na adolescência e eu como irmão mais novo tinha o dever de ler ele escondido.
Porém, a ideia de poder ler aquelas coisas quando fossemos mais velhos, me levou a contrair essa mesma paixão por registrar, nossa vida, nossas emoções…  Acho que a partir daí comecei a ler, a escrever textos, poesias, ensaios… crônicas… está tudo lá no www.oculispresto.blogspot.com.

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