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Jovens brasileiras: Quem são elas?

Donas do seu corpo, livres para escolher, autoconfiantes. Essas são algumas características das jovens brasileiras, segundo pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest.

O estudo “A flor deste botão: a novíssima geração das mulheres brasileiras”, realizado pelo Instituto QualiBest, mostrou como as jovens da geração Z percebem o que é ser mulher no Brasil. Liberdade de expressão, padrões estéticos e aspirações futuras foram alguns dos temas abordados na pesquisa. Também participaram mulheres da geração X, como contraponto.

O Instituto teve como objetivo compreender os comportamentos, as atitudes e os valores da jovem brasileira, flor que está a desabrochar para o mundo. Além do contraste entre as gerações, o estudo quis entender como esse olhar perpassa as classes ABC, em todas as regiões do Brasil. Isto ajudou a descobrir as mudanças em relação à beleza e às tendências que permeiam o universo feminino. Ao total, na etapa quantitativa foram entrevistadas 692 brasileiras com 13 a 20 anos; e 635 mulheres nascidas a partir de 1970.

A pesquisa dispôs de um mix de metodologias qualitativas e quantitativas, todas digitais, para estabelecer um diálogo e trazer a perspectiva dessas gerações a respeito dos assuntos tratados. “Utilizamos a abordagem por meio de blogs, diários digitais, netnografia no Facebook, vídeos, WhatsApp, análise semiótica complementar e questionários quantitativos online”, explica Daniela Chammas Daud Malouf, diretora do Instituto QualiBest, sobre as técnicas do estudo.

O método de análise permitiu estabelecer um diálogo com as jovens, trazendo à tona suas percepções, seus desafios e anseios cotidianos do que é ser mulher. A pesquisa do Instituto ainda abriu oportunidade para que algumas mães, juntamente com suas filhas adolescentes, participassem com suas visões e experiências de mundo.

Alguns resultados da pesquisa

“Lugar de mulher é onde ela quiser”.

Esta frase define bem o que as jovens pensam, e como se sentem. A geração Z possui um ideal de liberdade de expressão e de escolhas dos caminhos que deseja seguir. Suas formas de expressão são fluidas e ecléticas, refletindo essa aspiração pela liberdade. Isto faz parte da construção de identidade desta geração.

Elas sentem que são livres em relação ao seu corpo, às formas de se expressar e ao direcionamento da vida. As entrevistadas concordam que se sentem livres para tomar decisões sobre a sua vida (86%) e são mais abertas a fazer o que querem com o corpo (74%). Porém, essa geração ainda se depara com alguns aprisionamentos na sociedade. Na geração Z, as jovens responderam que já sofreram cantadas desagradáveis (88%), discriminação de gênero (49%) e até mesmo assédio sexual (43%).

Além disso, elas têm que lidar com diferentes parâmetros que convivem simultaneamente na sociedade atual. No que diz respeito à beleza, por exemplo, entendem que há diferentes padrões do que é belo. Para elas, o “feio” vem do olhar do outro: do preconceito, do insulto, do conflito entre padrões de beleza externos.

A geração Z não quer ser aprisionada em um discurso ou bandeira. Para 90% dessas jovens, cada uma deve arrumar seu cabelo do jeito que se sinta bem, enquanto somente 8% acredita que a mulher deveria assumir seu cabelo crespo ou ondulado. Mas, ao mesmo tempo, elas transitam por momentos e situações aonde se apropriam de procedimentos estéticos e produtos de beleza para conquistar autoconfiança: 45% das jovens disseram realizar procedimentos estéticos como tingir, alisar e escovar os cabelos para se sentirem mais confiantes.

Por outro lado, comparativamente, o estudo levantou que as mulheres da geração X são mais apegadas às questões que envolvam a beleza. Para 70% das entrevistadas, elas ficariam tristes se alguém dissesse que são feias ou que estão acima do peso. Já para a geração Z, só 53% concorda com a frase.

Essa diversidade de parâmetros influencia também as percepções sobre o Feminino. Hoje, existem ambivalências no sentido de “ser mulher”. Convivem vários modelos de feminilidade, beleza, estilos e atitudes, oriundos tanto de heranças culturais do patriarcado como das várias etapas do movimento feminista. Por isso, quando traduzem o que é ser mulher, ser feminina e sobre como é a garota da sua geração, as imagens e frases que significam transgressão e rebeldia convivem com a delicadeza e o romantismo femininos.

Na geração Z, os termos “feminismo” e “machismo” soam e convivem com mais naturalidade em relação à geração X. O feminismo presente no discurso da geração Z diz respeito à igualdade de gênero, na divisão das tarefas domésticas e, de forma intensa, no mercado de trabalho com maior equiparação salarial. Ter um parceiro também deixa de ser um objetivo em si – na verdade, buscam um parceiro que siga suas aspirações e objetivos, acompanhando seu projeto de vida.

No entanto, mesmo entendendo que a vida é mais dura para as mulheres do que para os homens (61%), essas jovens acham que a possibilidade de livre expressão e a fluidez de estilos e visuais são coisas que fazem ser mulher ser maravilhoso e, por isso, não abririam mão para ter nascido homem.

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